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Seminaristas, padres e missão
além-fronteiras
Pe. Geraldo Martins
A Missão é uma das teclas na qual
a Igreja da América Latina tem batido com insistência,
especialmente, a partir da V Conferência dos bispos da América
Latina e Caribe, realizada em Aparecida há três anos.
Sua meta é fazer com que cada cristão assuma seu compromisso
de missionário, recebido no batismo, e, assim, ser uma Igreja
toda missionária, capaz de cumprir plenamente o mandato de
Jesus Cristo: “Ide, fazei que todos se tornem meus discípulos”.
No Brasil, missão se tornou quase uma palavra
de ordem. Ao seu modo, paulatinamente, cada diocese vai tentando
fazer com que a missão seja uma de suas prioridades. Algumas
vão pelo bem sucedido caminho das Missões Populares;
outras pelo envio de missionários a dioceses mais carentes
da mão de obra missionária, numa perspectiva além-fronteiras.
Neste cenário, Amazônia aparece como destinatária
primeira, dadas as suas peculiaridades.
Na perspectiva de uma Igreja Missionária,
os padres têm papel fundamental. Daí a preocupação
com a formação dos futuros padres. A pergunta que
se faz é: até que ponto a missão é parte
integrante da formação dos seminaristas? Como a missão
lhes é apresentada? Como veem a missão? Estas perguntas
parecem estranhas, porque é de se supor que todo padre seja
missionário. Pode até ser, mas não numa dimensão
além-fronteiras. Daí a sua pertinência.
Um Congresso Missionário de Seminaristas
realizado no início de julho, em Brasília, aprofundou
estas questões ao discutir as cinco dimensões da formação
dos seminaristas na perspectiva da missão além-fronteiras.
Os 150 seminaristas que participaram do Congresso, vindos das cinco
regiões do país, revelaram a alegria de sua vocação,
a consciência de que sua formação missionária
é ainda insuficiente, em alguns casos até inexistente,
e o desejo de aprofundar sua formação missionária
e se apresentar para experiências concretas de missão.
Isso ficou claramente expresso na mensagem que
divulgaram ao final de seu encontro: “Cônscios da real
necessidade de formarmos nos Seminários vocações
verdadeiramente missionárias, vimos, por meio desta, encarecidamente
pedir aos senhores bispos, formadores e seminaristas, que desenvolvam
nos Seminários e Institutos uma formação voltada
para a missão além-fronteiras. Cremos que se houver
investimento, numerosas vocações missionárias
brotarão no seio dos Seminários, a começar
por nós que participamos deste Iº Congresso Missionário”.
Eles demonstraram, ao mesmo tempo, ter clareza
de que este não será um trabalho fácil. Exigirá
a sensibilidade da diocese, a disposição dos formadores
e a abertura dos seminaristas. Mostraram preocupação,
apresentada em forma de denúncia, com o grande número
de seminaristas que se rendem à tentação do
que chamaram de 5 C: Casa, Carro, Celular, Computador e Conta no
banco, obstáculo intransponível para alguém
ser missionário.
Os seminaristas entenderam que é impossível
assumir a missão sem um despojamento total. Sabem que a missão
exige, não apenas o sair de seu espaço físico,
de sua cultura, mas, sobretudo, o sair de si mesmo, num esvaziamento
radical a fim de ser preenchido pela riqueza da nova realidade que
será assumida na missão.
O Congresso trouxe a esperança e a certeza
de que, fazendo da missão uma disciplina transversal na formação
dos seminaristas, não faltarão padres com vocação
missionária além-fronteiras. É disso que a
Igreja precisa. É isso que o povo espera.
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