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Meios de comunicação
e evangelização
Pe. Geraldo Martins
O Setor de Comunicação Social da
CNBB realiza, no próximo mês, na cidade de Aparecida,
sob as bênçãos da padroeira do Brasil, o encontro
nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom). São
esperados 250 agentes da Pascom de todos os estados brasileiros.
Será uma oportunidade das lideranças trocarem experiências,
aprofundarem seus conhecimentos e assumirem compromissos que ajudem
a Igreja a ser comunicação e a usar, de forma mais
profissional, as novas tecnologias da comunicação.
A Igreja sempre fez comunicação,
mas sua relação com os meios de comunicação
(especialmente no início do cinema, rádio e TV) passou
por várias fases, indo do medo e da reserva ao reconhecimento
de sua imprescindível necessidade para a evangelização.
Prova disso é a conhecida afirmação do papa
Paulo VI na exortação apostólica Evangelii
Nuntiandi: “O primeiro anúncio, a catequese ou o aprofundamento
ulterior da fé, não podem deixar de se servir destes
meios” e ainda: “A Igreja viria a sentir-se culpável
diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão
destes meios potentes que a inteligência humana torna cada
dia mais aperfeiçoados” (n. 45).
Na Conferência de Aparecida, os bispos da
América Latina e Caribe reconhecem que “um fator determinante”
da “mudança de época” por que passamos
é a revolução tecnológica proporcionada
pelos meios de comunicação “com sua capacidade
de criar uma rede de comunicações de alcance mundial,
tanto pública como privada, para interagir em tempo real,
ou seja, com simultaneidade, não obstante as distâncias
geográficas” (n. 34).
Na recente mensagem para o Dia Mundial das Comunicações
Sociais, o papa Bento XVI conclamou os padres a assumirem sem medo
a pastoral no mundo digital, servindo-se dos novos meios que a tecnologia
da comunicação nos oferecer para o anúncio
da palavra.
Lembra o papa: “Aos presbíteros é
pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante
fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem
o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se
exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas
‘vozes’ que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho
recorrendo não só aos meios tradicionais, mas também
ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia,
vídeo, animações, blogues, páginas internet)
que representam ocasiões inéditas de diálogo
e meios úteis inclusive para a evangelização
e a catequese”.
Este incentivo por parte da Igreja é o grande
responsável pelo crescimento cada vez maior do uso dos meios
de comunicação para a evangelização.
E cada um o faz a partir de sua realidade e capacidade. São
incontáveis os periódicos diocesanos e paroquiais;
são centenas de rádios, muitas TVs e um número
sem fim de páginas na web, blogs e das novas mídias
sociais, febre do momento, como twitter, face book, flickr, dentre
outros.
Tudo isso prova que já ficou para trás
uma dúvida que foi objeto de muita discussão interna
dna Igreja que se perguntava se a ela cabia ter os próprios
meios ou apenas fazer-se presente neles, a partir dos espaços
que lhe eram oferecidos. O tempo e a prática mostraram que
um caminho não excluía o outro e que ambos se complementavam.
A pergunta que surge, agora, é outra: que conteúdo
vai nestes meios? Tudo dependerá da concepção
que se tem de evangelização, de Igreja, de pessoa
humana e de uma série de outras realidades que dizem respeito
à pessoa humana, à sociedade e à criação.
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