O repórter Marcos Losekan e o cinegrafista
Paulo Pimentel, da TV Globo, foram presos e interrogados, em Beirute,
capital do Líbano, por integrantes do Hezbollah, organização
política e militar dos muçulmanos xiitas, nesta
segunda-feira. De acordo com a matéria veiculada no Jornal
Nacional, os jornalistas tiveram os documentos, os celulares e
o equipamento apreendidos. Após cinco horas, eles foram
liberados.
Os jornalistas realizavam uma reportagem sobre a padaria Pão
e Armas, a mais badalada da capital Beirute, situada em um bairro
controlado pelo Hezbollah. No local, os sanduíches tem
nomes de armas. Réplicas de fuzis estão expostos
nas paredes e a trilha é embalada por sons de tiroteios,
explosões e guerra, conforme veiculado na matéria
do Jornal Nacional.
No meio da reportagem, homens do Hezbollah interromperam a matéria.
Apesar de apresentar as credenciais emitidas pelo Ministério
das Relações Exteriores do Líbano, os jornalistas
foram detidos e obrigados a entrar em um veículo, sendo
levados para um lugar ignorado, onde foram interrogados.
Segundo o repórter Marcos Losekan, a documentação
dele e do cinegrafista Paulo Pimentel foi apreendida, assim como
os celulares e o equipamento de filmagem. Antes de devolver o
material, os membros do Hezbollah retiraram os cartões
dos telefones e a fita da câmera. No entanto, ela havia
sido trocada no momento da prisão dos jornalistas, com
as imagens da reportagem preservadas.
Ainda segundo a reportagem do Jornal Nacional, o Consulado do
Brasil em Beirute entrou com uma reclamação formal
junto a representação libanesa. O governo do Líbano
disse que contra o Hezbollah nada ou quase nada pode ser feito.
Criado em 1982, após a invasão de Israel ao sul
do Líbano, o Hezbollah (que significa Partido de Deus),
é uma organização de resistência contra
Israel e os Estados Unidos, sendo considerado por esses países
como um grupo terrorista. O grupo também faz oposição
ao governo libanês.
OPINIÃO
DO LEITOR
Fonte:oglobo