Idinando Borges
maio 16, 2019

FELIZ ANIVERSÁRIO  E P C Ar! Por Áurea Vasconcelos Grossi

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Há coisas na vida que, de certa forma, me fascinam. O tempo, por exemplo. É curioso pensar que mesmo tendo consciência de que ele está sempre passando e transformando o que acha pela frente, ele se contrapõe à memória que tem, por missão, preservar.

Esta dualidade se tornou muito nítida quando comecei a delinear esta página. Os registros aqui feitos são frutos de uma determinação pessoal, do desejo de não deixar o instante se perder, da necessidade de abrir o coração com o afeto e a verdade nele resguardados. Alí estão entrelaçados tempo e memória.

Senti como se estivesse vendo a banda passar na cadência alegre da canção de aniversário… No alto do mastro, a Bandeira Nacional engalana–se, em movimentos provocados pelo vento das manhãs de maio… Nada mais natural! Afinal, EPCAr está em festa, comemorando seus bem vividos 70 anos.

Nascida através de decreto assinado em 28 de março de 1949, tinha como objetivo ser um curso preparatório para o posterior ingresso na Academia de Força Aérea. Por força das circunstâncias, provisoriamente, suas atividades iniciais se desenvolveram na Escola Técnica de Aviação já com o efetivo de 201 alunos. Mas, ainda neste mesmo ano, esta primeira turma foi transferida para Barbacena, onde pouco depois, o até então, Curso Preparatório, recebeu a definitiva denominação de ESCOLA PREPARATÓRIA DE CADETES DO AR.

Um novo universo foi aberto. Os primeiros passos foram dados. A trajetória, hoje dimensionada em décadas, foi sempre definida por um conceito de excelência ligado ao cumprimento dos objetivos a que lhe foram propostos, a nível de ensino intelectual e militar.

Por ela passaram jovens vindos de todas as regiões brasileiras, trazendo na bagagem os sonhos e as esperanças que, pelos três anos subsequentes, se conjugariam com uma experiência nunca antes vivenciada. Um enriquecimento para a convivência diária, onde diferentes culturas e costumes se mesclavam fortalecendo a coragem e o entusiasmo necessários à nova rotina. Nesta, a surpresa das árduas e naturais exigências de instruções militares, as não menos fecundas aulas com professores sintonizados em um moderno e profícuo ensino fundamental, os cuidados com a saúde e o desenvolvimento físico, através de instigantes e obrigatórias atividades, e ainda, as inúmeras iniciativas complementares da educação como um todo, sempre atenta a amalgamar o espírito. Um aprendizado sustentado pelas noções de ética, moral e outros aspectos engrandecedores do humano. Uma relação de transcendência com a instituição que, um dia, lhes permitiria chegar ao tão sonhado domínio de máquinas voadoras, anunciado pelo roncar dos motores cruzando os céus…

O cotidiano é a matéria prima desta missão. Diferenciado, relevante e incomparável em seu contexto. Nele, militares, professores e civis, todos de inegável respeitabilidade escreveram esta história. Os primeiros, sempre responsáveis em mostrar todos os meandros da vida na caserna, desvendando o simbólico da farda e tudo o que possa representar: a função de zelar pela defesa, segurança e garantia da Pátria, o respeito à disciplina, à lei e à ordem, a grandeza da Força Aérea, o exercício da salvaguarda nacional e os significados da paz e da guerra.

Aos mestres, coube a maravilhosa tarefa da formação intelectual, apoiados nas diversas áreas do conhecimento e utilizando metodologias as mais avançadas e, reconhecidamente, eficazes. Profissionalismo, dedicação e amor ao magistério foram os segredos que lhes possibilitaram ensinar e garantir o prestígio alcançado pelo curso.

A ambos, mestres e militares, muitas vezes, restava lhes abrir o coração à solidariedade que alivia e consola… gestos humanitários, conselhos, e até mesmo, o abraço confortante… o estar por perto quando  alguém se deparava com pedras pelo caminho…

Agora, celebrando seus setenta anos, não importa que os cenários tenham sofrido a ação do tempo… as pessoas tenham seguido destinos diferenciados… os laços tenham sido mais justos ou mais afrouxados… o importante é que a memória ousada, guarda sob custódia, os vínculos que se tornaram indissolúveis porque resultaram de sentimentos de pertencimento.

Barbacena, orgulhosa e reconhecida, é muito grata pela sua presença!

FELIZ ANIVERSÁRIO, EPCAr!