Idinando Borges
março 13, 2019

O CAMINHO DO MEIO por Áurea Vasconcelos Grossi

50297093_2519822811421973_1700029411027320832_n

Ainda sonolenta e com muita vontade de prolongar a preguiça matinal, vou percebendo que os primeiros raios do dia estão surgindo…  Na  mesa ao lado, o celular começa também a dar seus sinais de vida… Pensando  em alguns interesses dos quais não posso, ou não devo, me desvencilhar, dou atenção a ele. E aí, como em todas as manhãs, me deparo com um inimaginável número de mensagens e notícias… Corro os olhos pela tela e vejo que não mais é possível se espantar com a velocidade com que são disparadas  informações, comentários, opiniões, notícias desbaratadas, comprometedoras e surpreendentes…Mesmo compreendendo  a incapacidade de absorver tudo o que me chega, confesso que não resisto à  tentação  de uma pequena navegação neste mar virtual. Mas, sempre me obrigando a um processo   seletivo que enfatiza passar pelo  gratificante afeto da família e dos verdadeiros amigos, pelo interesse por aquilo que considero valer a pena!  Sobram – me o desalento, o desencanto e a impotência diante do excesso de inutilidades. Sou vencida apenas pela voz da razão que me impõe o afastamento  do que alí está ao alcance dos dedos.

Há situações em que somos sufocados pelos pontos de vista alheios, sem que tenhamos a mínima chance de  nos posicionar a respeito. Por outro lado, corremos o risco de alimentarmos nosso inconsciente com as ideias de outros como se nossas fossem. Um  típico caso de apropriação indébita!!!   Não podemos nos esquecer que este é um reduto que tanto nos aproxima de quem está longe como nos afasta dos que estão próximos e, consequentemente, de nós mesmos.  Sabemos o quanto a tecnologia é valiosa, admirável e indispensável para o futuro. Sabemos também que a ela já foi delegado o poder de transformar a era moderna e as que ainda virão. Sem dúvida, tem a missão de desenhar as novas feições do mundo….

Oh Deus, mas o que tudo  isto significa, na verdade, para nós, pobres mortais?!!! Acredito  que  a velha e conhecida  máxima “viver exige sabedoria” aí se encaixa  perfeitamente. Todos  temos consciência de que a vida contemporânea  é fantástica mas nos exige muito.  E, em função desta exigência, nos entregamos a um automatismo desgastante. Procuramos dar conta de tudo aquilo que se nos parece como obrigações. Entre elas, corresponder a esta avalanche de  informações trazida pela tecnologia. Por que temos que decodificar ou deglutir tudo que nos chega?!!! Como se fosse um fast food pronto a ser ingerido!…

Pergunto, o que a vida nos reserva nestes tempos em que  tudo flui com incrível rapidez e imprevisibilidade ? Como será viver com sabedoria?  Nossas  inquietações têm chance de nos indicar o caminho do meio. O ponto virtuoso do equilíbrio. E, para tal, acredito que o único instrumento mágico que dispomos para este enfrentamento se chama REFLEXÃO. Pensar, ponderar e selecionar o que realmente é válido… Não se deixar levar pelo espírito de rebanho..  Tentar abandonar o excesso que  atordoa… Nestas circunstâncias, sabemos que não há uma receita pronta e definitiva  mas existem indícios de que precisamos nos reencontrar como seres humanos que somos, donos de identidade própria, de pensamentos independentes, capazes de ter um olhar para o mais banal e, ainda assim,  nele  descobrir encantamentos…capazes de se enriquecer e, ao mesmo tempo, se fragilizar com as múltiplas facetas do amor…capazes de não perder seus vínculos imutáveis e duradouros…capazes de entender os recados da vida e deles guardar seu maior sentido: o de humanidade.

Nada mais que um  mergulho individual do qual o homem emergirá sobrevivente e  iluminado pela maior das esperanças: uma vida plena!

m000459929