Idinando Borges
outubro 17, 2018

ARTES PLÁSTICAS   Mostra reúne acervo do artista plástico Paulo Matos

Retrospectiva tem curadoria de Édson Brandão e Sérgio Cardoso Ayres e será realizada no Olympic Club

 

079Se durante a sua vida o artista plástico Paulo Matos nunca realizou uma exposição reunindo grande parte de sua obra, por motivos que só ele mesmo poderia explicar, já que a sua arte sempre foi reconhecida na cidade, o público barbacenense vai poder finalmente conhecer os trabalhos de um dos principais nomes do setor cultural da região. Falecido em 2016, a família herdou todo o seu acervo e, num trabalho coletivo do historiador e curador de arte Édson Brandão e o arquiteto e professor Sérgio Cardoso Ayres, curadores da retrospectiva, juntamente com familiares do artista, seu trabalho foi catalogado e muitas de suas telas foram montadas no chassi e algumas emolduradas.

“O trabalho do Paulão, como o artista era conhecido pelos barbacenenses com seu cavalete armado em vários pontos da cidade retratando cenas urbanas, paisagens ou igrejas, é dos mais representativos da história das artes plásticas da cidade, juntamente com EmericMarcier, Serio Benini, Ana Mangualde e Lourival Vargas”, disse Sérgio Ayres. Ele ressalta também que os quadros serão comercializados durante o evento. “É uma oportunidade rara de adquirir uma tela, seja da série de flores, paisagens, cenas urbanas de Barbacena ou de Ouro Preto e até mesmo com outras temáticas mais modernas”, finalizou. A retrospectiva, que terá visitas guiadas e grupos agendados, contará com a participação de alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unipac como guias.

Para o presidente do Olympic Club, José Mario Nogueira, esta é uma experiência inédita do clube ao abrigar em sua sede social uma exposição de artes plásticas sendo que se as expectativas positivas se corresponderem poderá ser o início de uma série, já que a atual direção da entidade está determinada em estar presente na vida cultural, social e esportiva da cidade.

Serviço

A mostra, que será realizadaentre os dias 20 e 30 de outubro no salão do Olympic Club, no centro da cidade, ficando aberta de terça-feira a sábado de 14 às 20 horas e no Sábad, de 9 às 14 horas. A entrada é franca e escolas podem agendar visitas em grupo. O evento tem o apoio cultural da City 10, do Sétimo Degrau Ponto de Cultura. Informações podem ser obtidas na secretaria do clube: 32 3331-6352.

Sérgio Ayres

Fotos: Edson Inácio/Divulgação

Notas biográficas de Paulo Matos, o Paulão : Por Edson Brandão

Paulo Roberto Costa Matos, conhecido artisticamente como Paulão ou Paulinho Pigmento, foi um desenhista e pintor nascido na cidade de Prados, MG, no dia 7 de fevereiro de 1951. Radicado desde a infância em Barbacena, Paulo sempre foi incentivado pela família a desenvolver seus dons artísticos. Foi com a professora de desenho e pintora Ana Mangualde que aprendeu as primeiras lições da pintura e do desenho acadêmico. A partir da década de 70 iniciou uma série de obras com influência figurativa, pintando flores, naturezas mortas e paisagens, em especial de Minas Gerais.

À medida que ganha experiência e toma contato com a obra do pintor romeno EmericMarcier (1916-1990), que viveu em Barbacena a parir de 1947, Paulão vive uma fase mística produzindo temas bíblicos em especial, cenas apocalípticas.

Nos anos 80, começa a passar longas temporadas no Rio de Janeiro, frequentando cursos do MAM (Museu de Arte Moderna) e EAV ( Escola de Artes Visuais do Parque Lage). Mesmo vivendo com pouco dinheiro e abrigando-se na Casa do Estudante Universitário da UFRJ, na sua fase mais anárquica e precária, Paulão logo ficou conhecido no meio artístico carioca por sua habilidade na confecção de pigmentos, bastões e tintas muito apreciadas por estudantes de artes e artistas. Foi especialmente impactado pelas lições sobre materiais artísticos em oficinas ministradas por Katie Van Scherpenberg, que por sua vez introduziu Paulão à pintura expressionista e vigorosa de seu antigo professor OskarKokoschka (1886-1980).

Com todas essas influências, Paulão mudou radicalmente seu estilo de pintura e passou a ser conhecido entre os frequentadores do Parque Lage como Paulinho Pigmento. A qualidade de seus pigmentos e cores é atestada por artistas respeitados como Luiz Ernesto, Lúcia Laguna, Bia Kreimer e Charles Watson. Por indicação de Watson, a grande imprensa começa a dar atenção ao trabalho de Paulo. Matérias de página inteira do Jornal O Globo e o programa de entrevistas de Jô Soares destacaram a habilidade quase extinta entre os pintores pós-renascentistas que era a capacidade de fazer as próprias tintas utilizadas nas obras.

Alternando temporadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, Paulão, passa a realizar uma série de telas retratando a paisagem mineira com algumas obras equivalentes em qualidade e cromatismo à melhor produção de EmericMarcier e Carlos Bracher.

Nos anos 90, foi realizada uma grande retrospectiva de seu trabalho na antiga galeria do CEFEC (Centro Ferroviário de Cultura) e duas de suas aquarelas ilustram pontos históricos de Barbacena no Museu Municipal da cidade. Suas obras estão incluidas em algumas importantes coleções particulares no Brasil e no exterior.

Paulo Matos faleceu em 13 de maio de 2016, em Barbacena, Minas Gerais.