Idinando Borges
junho 1, 2018

Parente, go home! Por EMIR SADER

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Primeiro era o Roberto Campos, o Bob Fields, o mais genuíno representante dos interesses dos EUA no Brasil. Era uma espécie de embaixador norte-americano informal infiltrado na política e no governo brasileiros. Era contra a própria existência da Petrobras, mantinha, contra todas as evidências, as posições do Rockfeller de que não havia petróleo no Brasil ou, se havia, não era rentável explorá-lo. Aí estavam a Shell, a Esso e outros conglomerados multinacionais para fazer isso por nós.

Era o entreguismo em estado puro. Entregar tudo o que é nacional para os gringos. Estaria tudo em boas mãos, eles fariam melhor que nós e fariam tudo o que de melhor nós precisamos. Era a idolatria dos EUA e de tudo o que vinha de lá.

Em que consiste o entreguismo? Em desqualificar tudo o que é feito aqui, para favorecer o que é feito no Império e nas potencias estrangeiras, incluídas suas grandes corporações econômicas e financeiras. Pode ser através da privatização e desnacionalização, pode ser através da abertura do mercado interno. E, claro, pela subserviência total na política externa, contra os que os EUA consideram seus principais inimigos.

Depois vieram outras versões, do Collor e do FHC. Aquele nem teve muito tempo de adular os EUA, mas o FHC frequentava os ágapes do Clinton e do Tony Blair, para mostrar, subservientemente, que o entreguismo poderia ter cara diferente. Há aquela foto significativa em que ele está abaixo dos próceres da terceira via, com a linguinha de fora, como se estivesse abandonando o rabo para os seus donos.

Nos atentados de 2001 nos EUA, ele e seu chanceler Celso Amorim, abundaram no puxa-saquismo. FHC. Lafer foi quem ganhou o prêmio, ao submeter-se a tirar os sapatos no aeroporto de Nova York.

Depois, o Brasil passou a ter uma política soberana, com o Lula e o Celso Amorim, essas imagens ficaram longe no tempo, substituídas pelas do reconhecimento do Brasil como sujeito ativo na resolução dos grandes conflitos internacionais. Nunca fomos tão independentes, tão soberanos, tão reconhecidos por todo o mundo.

O golpe representou uma ruptura com tudo o que de bom estava sendo feito na construção do Brasil como nação. A Petrobras, como símbolo de empresa estatal brasileira de sucesso, foi vitima privilegiada do golpe, que visa destruir a empresa, seu prestigio, seu valor, privatizá-la e desnacionalizá-la. Como expressão significativa do Estado brasileiro, como expressa brasileira mais importante aqui e em todo o mundo, tinha que ter à sua cabeça quem se dedicasse a destruí-la. Contando com o trabalho da Lava Jato, de manchar o nome da empresa, Parente se pôs, 24 horas por dia, a destruir a Petrobras, o Pré-sal, o corpo de profissionais mais competentes com que o Brasil conta.

Sua política de preços é a expressão mais acabada do entreguismo, é o que um funcionário da Fundação Rockfeller faria se estivesse nesse cargo. Sua política é antinacional porque destrói, liquida patrimônio nacional. É antipopular, porque pune aos que usam gasolina e gás de cozinha com preços estupidamente caros.

O Fora Temer tem sua expressão mais genuína no Fora Parente. O Fora Parente é a defesa do Brasil como pais, do Brasil como nação, como sociedade justa, que defende os interesses do seu povo, que se preza como pais, que gosta do Brasil, que sabe que as nossas riquezas são nossas, que a Petrobras é do Brasil, que o petróleo é nosso.

FUP | Sergio Moraes/Reuters