Idinando Borges
maio 31, 2018

PONTO DE PARTIDA EM “VOU VOLTAR”! Por Áurea Vasconcelos Grossi

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Um texto forte revelado por uma performance irretocável. Uma realidade  dura e cruel conduzida com leveza e talento. Um diálogo emocionante entre palco e plateia. Assim impactante… Assim, o grupo Ponto de Partida nos traz  VOU VOLTAR, uma história do passado,  mais presente do que nunca e, sem dúvida, suporte para o que virá ainda  para as próximas gerações. O fio condutor é a  liberdade, este sentimento pelo qual o ser humano luta com todas as suas forças. A liberdade de ser, de existir, de fazer , de ir e vir, de permanecer “Sempre esmiuçando seu tempo histórico para aspirar o eterno” .

Emoção, a essência do espetáculo, foi, sem dúvida, responsável pela  escolha de seu tema: a realidade dos refugiados. Nada mais atual  já que  os vemos por todos os lados, lutando para transpor fronteiras e encontrar espaço para uma vida possível. Seja quem for, todos se colocam nesta condição buscando acolhimento, enfrentando todos os tipos de rejeição e lutando, com garra, para não perder as próprias identidades.

E, como não podia deixar de ser, VOU VOLTAR, se apoia num enfoque genial: a história do grupo de teatro El Galpon, Uruguaio de origem e o  mais antigo da América do Sul, completando em 2019, 70 anos de  existência. Uma trajetória comovente, escrita entre amores e dores, fazendo da arte, a bandeira  da superação enquanto  presos e torturados durante a ditadura militar e posteriormente, refugiados no México. A força do grupo sempre se concentrou nos ideais humanistas e revolucionários, defendendo a democracia e os princípios básicos da liberdade. O apoio mexicano lhes valeu apresentações por todo este país e por muitos outros do mundo afora.  “Ancorados às suas convicções, à poesia, à beleza, ao compromisso de reinventar e recontar a vida”  desenvolveram um clima de solidariedade que acaba por lhes permitir o regresso ao solo pátrio, ocasião em que são reacolhidos com honras e glórias.

Através de El Galpon, o Ponto de Partida, esbanja o já consagrado  dom artístico, homenageando a todos os que , embora perseguidos ou refugiados, tiveram a chance  de viver as benesses do reconhecimento e da volta ao lar. Pura emoção!

Num ato óbvio de justiça, se apresentaram  primeiramente, em Montevideo, de onde estão regressando  com os corações  enternecidos pelos sentimentos que despertaram no público uruguaio. Entre lágrimas e aplausos,  assistiram nossos conterrâneos contarem a história que, embora própria deles, também  poderia ser a de  qualquer outro ser em suas relações existenciais de convívio  humano.

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Parabéns aos atores e a todos do grupo Ponto de Partida que possibilitaram este espetáculo.  Nós nos orgulhamos de vocês!

Em tempo: A BITUCA – UNIVERSIDADE DA MÚSICA foi reaberta e já está aceitando inscrições para seus cursos.