Idinando Borges
maio 16, 2018

#navegandopelopresente – Do FB por Áurea Vasconcelos Grossi

13 de  maio lei aurea

 

 

 

 

 

 

Não tenho a pretensão de ser politicamente correta. Mas, nesta manhã de domingo, treze de maio, meu pensamento  criou  asas divagando por entre a ternura  e a saudade de minha mãe, pela aparição de Nossa Senhora de Fátima em Portugal e pela pena de ouro cravejada de brilhantes com que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.  Logo percebi  que as comemorações deste dia envolviam um momento  propício a reflexões. O amor filial e os sentimentos advindos da fé,  pela força da própria  incondicionalidade, cederam espaço à abolição da escravatura.

Um mergulho no tempo nos permite desvendar o cenário que esclarece este ato ousado para os parâmetros patriarcais daquela época. Há exatamente cento e trinta anos, o país assistia ao crescimento de um clima de anarquia devido à fuga de escravos além de  movimentos contrários ao sentido de propriedade e ordem social. Razões suficientes para que fosse extinto o regime de escravidão através de um decreto cujo nome evoca o quanto valioso e brilhante o foi. Certamente muitas aparas tiveram de ser feitas e muitos desafios foram vencidos. Aspectos humanitários  e perspectivas de justiça serviram de alicerce  para o enfrentamento da causa. Concretiza – se  a libertação dos escravos. E um novo e honroso destino foi traçado.

Mas o tempo passa, as mudanças acontecem, os rumos se alteram. As conquistas são outras.  E, infelizmente, hoje, apesar de todas as benesses e progressos da vida moderna, nos deparamos com um preocupante  panorama da atualidade.  Estamos sendo vítimas de uma ordem social anárquica, onde somos colocados cara a cara com incertezas futuras, com a falta de escrúpulo de grande parte dos homens públicos, com a incompetência de gestões em todos os âmbitos, com a falibilidade de valores e princípios humanos, com total desestabilização econômica,  com uma incontrolável violência e sobretudo, com as maiores nuances de insegurança…  e ainda muito mais!

Há que se admitir que, embora em circunstâncias diferentes, os cidadãos vivem situações de opressão, de submissão a uma elite dominante nem um pouco merecedora de elogios. É  onde desejo chegar com meu raciocínio.  Qualquer forma de  sujeição onde  se contrapõem  fortes e fracos torna – se  uma forma camuflada de “escravidão”. Neste paralelo entre as duas épocas, é fácil constatar que, a exemplo do passado, estamos precisando reagir.  Dispensamos a pena dourada cravejada de brilhantes  mas queremos um tempo novo onde seja possível acreditar naquilo que está por vir e nas pessoas que têm a função de liderança. Temos que enxergar a realidade, fazer valer nossos direitos e procurar todos os instrumentos possíveis que permitam uma participação efetiva junto ao poder. Cada um de nós deverá ser um multiplicador do incentivo a esta reação. Nossa primeira arma  é o exercício da cidadania através do voto consciente. Pensar muito! Escolher bem! Não há como esquecer que as urnas serão nossas alavancas para um destino mais ético e justo.

Não será uma trajetória fácil, mas possível. A luz começará a surgir no fim do túnel quando sinalizar que o cidadão brasileiro, através do processo eleitoral, já não se deixa submeter aos desvarios do sistema. Será, sem dúvida, alimento para nossas esperanças,  reforço  para o respeito que merecemos e caminho em direção aos sonhos, mesmo que ainda longínquos…