Com monólogos a cada pergunta, o ginasta
Diego Hypólito falou com a imprensa dois dias depois da
queda, do sexto lugar e de ficar sem palavras na final do solo
das Olimpíadas. A frase mais marcante foi: "Não
sou um amarelão. O que aconteceu foi uma fatalidade."
Mas, na entrevista coletiva na Vila Olímpica,
a declaração mais reveladora aconteceu quando tentava
achar explicação para o mau resultado, descartando
que o problema tenha sido a pressão, o nervosismo ou falta
de concentração. Nas entrelinhas, apesar de negar
também o excesso de confiança, disse que este tenha
sido um fator para o erro.
"Talvez pode ter faltado mais pé no chão,
não ter criado tanta expectativa nisso. Muitas famílias
pararam para ver uma medalha certa, até eu acreditava.
É como se o Brasil todo subisse comigo no solo. O triste
é que muita gente contava, não só eu...o
treinador, a família, a federação, a torcida
e os patrocinadores", listou diante dos microfones.
Ele não chorou, mas ficou com os olhos marejados quando
lembrou sua trajetória até ali. "Tive dengue,
sofri uma operação, ainda houve um acidente de carro,
um assalto. Mas Deus não quis. Usei todas as minhas armas,
mas Deus decidiu isso. Ele deve estar reservando alguma coisa
para mim." O choro não veio, e o único líquido
que escorria de seu rosto era o suor por dar entrevista ao sol
em nome de uma boa luz para as câmeras de TV.
O ginasta afirmou que não pensou em abandonar a modalidade
em nenhum momento e que vai usar a folga agora para refletir sobre
o que aconteceu. Afinal, mostrou que ainda não digeriu
a resultado. "O mundo não acabou, tenho 10 ou 12 anos
mais de carreira, mais três Olimpíadas para participar"
Diego contou que não dormiu direito, pensando no que aconteceu.
"Não vou sair. Não vou enlouquecer. Estou ferido,
mas não existe trauma. Se tivesse medo, não poderia
dar as acrobacias que dou no ar. A ferida fica, mas o Diego está
inteiro, está vivo. Eu não sou um coitado. Não
vou desistir. Mas no meu coração falta alguma coisa",
confessou o atleta que era apontado como favorito para o ouro
e com a nota de 16,20, que faria sem a queda, seria o primeiro,
lugar em que ficou na fase inicial.
Quando a pergunta foi o que pensou no momento do erro, ele se
abriu. "Na hora pensei: `caramba, eu não acredito´.
Ali o mundo caiu. Achei que tinha cravado os pés e coloquei
a bunda no chão. No momento mais preciso e decisivo, eu
falhei. Senti muita tristeza pela queda", confessou.
Ele afirmou que está "muito fragilizado" e que
está "sem chão", mesmo 48 horas depois
da decepção olímpica. Diego voltou a pedir
desculpas - uma das poucas declarações que conseguiu
conceder após seu desempenho de domingo. "Vivia meu
melhor momento, sem dores, treinando muito e saltando bem. Agora
estou fragilizado, mas sempre dei a cara para bater e estou aqui
falando com vocês", sentenciou.
Durante a entrevista de 40 minutos, soltou alguns lugares-comuns
como "o mundo dá voltas" e "sou de carne
e osso, não sou uma máquina". Mas, quando os
assessores encerraram a conversa, Diego deixou a roda de jornalistas
com uma interjeição que sintetiza seu estado de
ânimo: "Ai que droga."
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Fonte:uol